TOMO I
Era uma vez um país onde o povo era, na maioria, ridículo.
Neste país de pessoas - em geral - ridículas, a palavra lepra (que designava uma doença já antiga na humanidade) foi rebatizada para hanseníase. Isso se deu em favor do "estigma" que aqueles acometidos pela doença sofreriam. Todo mundo ovacionou a decisão.
Mas o que nem todo mundo (porque muitos eram ridículos) percebeu é que a doença - que podia ser erradicada (ou considerada, grosso modo, como tal) não foi combatida e, mais que o "estigma" malvado, o que se sucedeu foi que o país conseguiu galgar o posto mais alto de incidência mundial.
Esse mesmo país tinha o costume de se espelhar em um outro, mais ao norte... País que não alterou o nome da doença para hanseníase e, embora tenha optado por arcar com o peso de tal estigma, não tinha tantos cidadãos com lepra assim.
Moral da história: o país das pessoas ridículas não tinha um cidadão com lepra, mas tinha muitos com hanseníase. O outro, não tinha pessoas com hanseníase E NEM com lepra.
***
TOMO II
Um território pouco sério (Nota: Dizem os historiadores que ficava ali, encostadinho no País das Maravilhas de Lewis Carroll e era mais absurdo e non sense que este) teve um governante realmente bem intencionado em certa feita. Mas com os anos, este, ciente de que seu povo era na maioria ridículo, deixou o cargo. Assumiu no seu lugar, uma GOVERNANTA.
Muitos (ridículos) receberam a notícia como se a cultura geral dos cidadãos deste território tivesse dado um salto ao futuro, pois evidenciaria um avanço na igualdade de gênero.
Assim, esse território resolveu grafar como debutante aquele que debuta e debutanta, aquela que debuta (v. fr.: débuter; Começar, iniciar) . O concorrente, por sua vez, era aquele que concorria e concorrenta era usado para o feminino.
Por extensão, passaram a usar eloquenta, estudanta, dirigenta e militanta (ao invés, respectivamente, de eloquente, estudante, dirigente e militante) até que os ridículos se uniram e consideraram que a equidade entre gênero se resolveria ao chamar de presidente aquele que preside e PRESIDENTA aquela que preside.
Assim, este território (que continuou a pagar, em média, menos para as trabalhadoras que desempenhavam as mesmas funções que os trabalhadores) deu-se por satisfeito o assunto.
Era uma vez um país onde o povo era, na maioria, ridículo.
Neste país de pessoas - em geral - ridículas, a palavra lepra (que designava uma doença já antiga na humanidade) foi rebatizada para hanseníase. Isso se deu em favor do "estigma" que aqueles acometidos pela doença sofreriam. Todo mundo ovacionou a decisão.
Mas o que nem todo mundo (porque muitos eram ridículos) percebeu é que a doença - que podia ser erradicada (ou considerada, grosso modo, como tal) não foi combatida e, mais que o "estigma" malvado, o que se sucedeu foi que o país conseguiu galgar o posto mais alto de incidência mundial.
Esse mesmo país tinha o costume de se espelhar em um outro, mais ao norte... País que não alterou o nome da doença para hanseníase e, embora tenha optado por arcar com o peso de tal estigma, não tinha tantos cidadãos com lepra assim.
Moral da história: o país das pessoas ridículas não tinha um cidadão com lepra, mas tinha muitos com hanseníase. O outro, não tinha pessoas com hanseníase E NEM com lepra.
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TOMO II
Um território pouco sério (Nota: Dizem os historiadores que ficava ali, encostadinho no País das Maravilhas de Lewis Carroll e era mais absurdo e non sense que este) teve um governante realmente bem intencionado em certa feita. Mas com os anos, este, ciente de que seu povo era na maioria ridículo, deixou o cargo. Assumiu no seu lugar, uma GOVERNANTA.
Muitos (ridículos) receberam a notícia como se a cultura geral dos cidadãos deste território tivesse dado um salto ao futuro, pois evidenciaria um avanço na igualdade de gênero.
Assim, esse território resolveu grafar como debutante aquele que debuta e debutanta, aquela que debuta (v. fr.: débuter; Começar, iniciar) . O concorrente, por sua vez, era aquele que concorria e concorrenta era usado para o feminino.
Por extensão, passaram a usar eloquenta, estudanta, dirigenta e militanta (ao invés, respectivamente, de eloquente, estudante, dirigente e militante) até que os ridículos se uniram e consideraram que a equidade entre gênero se resolveria ao chamar de presidente aquele que preside e PRESIDENTA aquela que preside.
Assim, este território (que continuou a pagar, em média, menos para as trabalhadoras que desempenhavam as mesmas funções que os trabalhadores) deu-se por satisfeito o assunto.


